Encontrei hoje uma amiga que não via há muito tempo, desde os tempos despreocupados do início da Faculdade. Eu começava a navegar nas vagas do Direito, ela abraçou com paixão as Línguas Germânicas.
Desde essa altura que vivia um amor intenso, perfeito, que lhe povoava os dias de risos, beijos e inúmeros passeios... Ele era um príncipe ideal e ela, a donzela apaixonada, o que lhe dava sempre uma aura de felicidade etérea. Cheguei a desejar por várias vezes algo assim para mim.
Ao fim destes anos todos, ela é uma sombra do que era. A luz apagou-se.
Depois de uma relação de 6 anos, onde já partilhavam a casa e a vida, ele simplesmente diz-lhe que nunca gostou dela e que por isso está farto e não quer mais vê-la. Assim! Dito friamente!
Ela, logicamente, está de rastos, envelhecida e amarga. Disse-me que nunca mais amará na vida, que nunca mais quer saber de homens e que tão pouco voltará a confiar em alguém.
Eu não a censuro, apesar de saber que a sua alegria de viver ficou irremediavelmente arruinada com esse voto de castidade emocional. Teria eu, com certeza, a mesma reacção.
Agora o que me custa mais ainda é saber que este tipo de homens, que são a esmagadora maioria, ainda vivem a sua vida impunes e descansados, sem se preocuparem com o que a sua atitude despreocupada e desligada provoca nos outros.
E é nestes momentos, perantes exemplos destes, que me relembro do meu lema, ainda vivo de quando em quando: nunca confiar num homem.