sábado, fevereiro 05, 2005

Sou um guardador de rebanhos

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei da verdade e sou feliz.

ALBERTO CAEIRO

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Adoro este poema, diz-me muito...

Talvez um poema dos que se eu um dia tiver que fazer uma antologia minha, seria um dos escolhidos...

Desde os tempos que a minha madrinha me declamava poesia andava eu nos primeiros anos de primaria...

Depois ela afastou-se... e deixei de escutar poesia. Mas ela recitava muito Pessoa.

Adoro este poema...

Um enorme beijo, sereia dos olhos de oiro...

10:32 da tarde  

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